31 de mai de 2010

Rastros de Ódio (1956)

Considerado o maior realizador de westerns, o diretor John Ford atingiu o ápice em "Rastros de Ódio", em mais uma parceria com John Wayne, principal astro deste gênero do cinema americano. Mas, este filme, em especial, foge um pouco da visão romanceada do Velho Oeste e o resultado é uma história mais densa, com um protagonista mais rude e complexo dando espaço para preconceito, intolerância e ódio. O roteiro, a fotografia, e a trilha sonora estão perfeitas.

Na trama, Ethan Edwards (John Wayne) é um veterano da Guerra de Secessão, mas só retorna três anos após o fim dos combates. De volta à casa do irmão Aaron (Walter Coy) no Texas, ele se mostra amargo e rancoroso. Revela um ódio mortal dos índios a ponto de rejeitar Martin Pawley (Jeffrey Hunter), jovem mestiço que protegeu quando criança e entregou para seu irmão criar.

Depois que um grupo comanche mata seu irmão e sua nora e rapta as sobrinhas Lucy e Debbie, Ethan se junta a Martin para uma busca que dura alguns anos. Com uma pista do paradeiro de Debbie, já que descobrem Lucy morta, eles vão atrás do acampamento do cacique Cicatriz que pode ser o seqüestrador da menina. Enquanto isso, Laurie Jorgensen (Vera Miles) espera ansiosa por Martin, pois deseja casar-se com ele.

O início do filme mostra a abertura da porta que dá para o deserto. A cena apresenta o tema visual do filme e limiar entre os dois mundos, o civilizado no interior e o selvagem no lado de fora. A cena final com John Wayne se afastando desta porta virou vinheta de Hollywood (no canto direito da foto). Ethan Edwards é um dos personagens mais interessantes que o cinema já retratou e com certeza o papel mais sólido de Wayne. Um homem individualista, sem família e motivado pelo ódio, um tipo de anti-herói em busca de vingança.

Por isso é um dos filmes mais influentes dos anos 50 e que inspirou vários diretores como Sérgio Leone, Martin Scorcese, Steven Spielberg, Jean-Luc Godard, Wim Wenders e George Lucas. Esta obra-prima de John Ford aborda o racismo de maneira realista, uma verdadeira crítica contra o preconceito. Pena ter sido mal-interpretado na época e negligenciado pela Academia. Por esse motivo não recebeu uma indicação ao Oscar sequer.

Rastros de Ódio (The Searches, 1956)
Direção: John Ford
Roteiro: Frank S. Nugent
Elenco: John Wayne, Jeffrey Hunter, Vera Miles, Walter Coy, Natalie Wood, Hank Worden

Cena final que virou vinheta:

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Sindicato dos Ladrões (1954)

A idéia para o filme começou com uma série de reportagens do jornalista Malcolm Johnson para o The New York Sun sobre o problema de extorções, na zona portuária de Nova York. Os 24 artigos renderam ao jornalista um Prêmio Pulitzer e a história ganhou roteiro para às telonas nas mãos do roteirista Budd Schulberg.

Uma verdadeira cruzada contra a corrupção e também àqueles que, por manter o silêncio, amparam tais atos, "Sindicato dos Ladrões" impressiona por performances soberbas. Na história, um punhado de bandidos, liderados por Johnny “Amizade” (Lee J. Cobb) têm o controle do cais e cobram propinas das cargas que desembarcam. Se alguém causa problemas o Sr. Amizade envia seus capangas para resolver.

Quando Jimmy Doyle (Arthur Keegan) decide cooperar com a polícia do porto, ele é assassinado. O pugilista fracassado Terry Malloy (Marlon Brando) trabalha para o sindicato de Johnny “Amizade” por causa da influência de seu irmão Charley (Rod Steiger). Terry está disposto a manter sua boca fechada até que conhece a irmã do delatador, Edie Doyle (Eva Marie Saint), e apaixona-se por ela. Terry sente-se um pouco responsável pela morte do irmão dela, pois foi ele quem o mandou para a cilada.

O ponto alto do filme é a cena no banco de trás de um táxi (foto acima), onde Terry conversa com seu irmão Charley que o pressiona para aceitar um cargo de chefia no cais para manter a boca fechada. O passado vem à tona num diálogo excepcional onde dizem que Brando improvisou uma parte do texto.

A direção de Elia Kazan assegura uma fluidez que dá ao filme um senso da realidade envolvente. A base da história gira em torno de uma discussão sobre os prós e contras de ser um informante. Sem julgar Kazan, que no final tira ambos os lados da questão, ele mostra que os dois lados estão certos e também errados. O filme explica como é fundamental quebrar o silêncio em uma situação como esta, mesmo que você pareça um rato para seus amigos.

Infelizmente, o final é demasiadamente otimista com o comportamento do grupo de trabalhadores em solidariedade à Terry tendo em vista o poder de uma máfia. Na vida real não é tão simples e nem tão fácil de resolver problemas desse tipo. "Sindicato dos Ladrões" ganhou os oito Oscars incluindo de Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado, Ator (Marlon Brando) e Atriz Coadjuvante (Eva Marie Saint).

Sindicato dos Ladrões (On the Waterfront, 1954)
Direção: Elia Kazan
Roteiro: Budd Schulberg
Elenco: Marlon Brando, Lee J. Coob, Eva Marie Saint, Karl Maden, Rod Steiger.

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27 de mai de 2010

A Um Passo da Eternidade (1953)


Adaptação de um romance do escritor James Jones, "A Um Passo da Eternidade" é uma história longa e complexa. Com uma linguagem dura, fala com franqueza sobre sexo e o retrato da vida militar como uma força brutal. No entanto, depois de pagar 82 mil dólares para obter os direitos sobre a obra, a Columbia Pictures estava determinada a realizar o filme.

O primeiro passo foi garantir a assistência do exército, porém, a posição oficial do Pentágono era de negar qualquer ajuda ao projeto. Mas o produtor Buddy Adler foi capaz de ganhar a aprovação ao aceitar pequenas mudanças no roteiro.

Na história que se passa em 1941, Robert Prewitt (Montgomery Cliff) pede transferência do exército e vai parar em uma base militar, no Havaí. Seu novo capitão sabe que ele é um exímio boxeador e deseja tê-lo na equipe de boxe, mas Prewitt se recusa. Irritado, o capitão ordena que seus subordinados transformem a vida do novato em um inferno.

Prewitt apaixona-se por Alma “Lorene” Burke (Donna Reed), uma acompanhante em encontros sociais. Enquanto isso, o sargento Milton Warden (Burt Lancaster) ouve que Karen Holmes (Deborah Kerr), esposa do capitão, procura relações extraconjugais. E para complicar a situação na base, Angelo Maggio (Frank Sinatra), um amigo de Prewitt, é vítima de um vingativo sargento.

Nenhuma batalha gloriosa é mostrada e o clímax é o ataque japonês a Pearl Harbor. A cena de amor na praia entre Burt Lancaster e Deborah Kerr tornou-se clássica (foto no alto), mas na época era considerada muito picante e erótica. 

Com os romances entre a esposa de um oficial e um sargento, e de um pária do exército e uma prostituta (foto ao lado), o melodrama dentro do cotidiano da vida militar é o foco do filme em duas histórias que ocorrem paralelamente. O diretor Fred Zinnemann conduziu muito bem as performances dos atores que foram quase totalmente aclamadas nesta obra.

Sinatra ganhou um Oscar de ator coadjuvante e deu a volta por cima depois de anos desastrosos. Embora o papel não tenha feito muito para mudar a imagem de Donna Reed, a premiação com o Oscar de atriz coadjuvante lhe deu cacife para se lançar, alguns anos mais tarde, numa série de TV de sucesso.

Quanto à Clift, ele passava longas horas aprendendo a tocar corneta, além de procedimentos militares. Como resultado, recebeu elogios da crítica por sua interpretação de alta sensibilidade. “A Um Passo da Eternidade” obteve, ao todo, oito premiações do Oscar, incluindo melhor filme, diretor e roteiro.

A Um Passo da Eternidade (From Here to Eternity, 1953)
Direção: Fred Zinnemann
Roteiro: Daniel Tadarash
Elenco: Burt Lancaster, Montgomery Cliff, Deborah Kerr, Frank Sinatra, Donna Reed, Philip Ober

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22 de mai de 2010

Janela Indiscreta (1954)

Pense em um filme que se passe todo dentro de um apartamento e mesmo assim tenha elementos de suspense, drama e mistério. Pois é, Alfred Hitchcock consegue isso com "Janela Indiscreta" utilizando-se de técnicas cinematográficas aprimoradas. Através do personagem principal Jeff (James Stewart), Hitchcock nos coloca como voyeurs bisbilhotando a vizinhança e realmente fazendo parte da história.

Jeff é fotógrafo de uma revista e está de molho em casa com uma perna engessada, mas sua noiva Lisa Carol Fremont (Grace Kelly) o visita com frequência. Nesse momento de tédio, ele utiliza sua câmera fotográfica como binóculo, e assim, passa a observar seus vizinhos.


Mas o que nem ele esperava era perceber que uma mulher teria supostamente sido morta pelo marido. Ele não vê o crime mas tem fortes indícios para reforçar sua tese e busca alguma prova com a ajuda da noiva e de um amigo investigador Thomas Doyle (Wendell Corey). Porém, ninguém acredita muito na história de Jeff até que algumas coisas começam a fazer sentido e o suspense aumenta.

O filme recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo melhor diretor, mas não levou nenhuma estatueta. O roteiro foi baseado em conto de Cornell Woolrich, publicado originalmente em 1942, e refilmado em 1998 tendo como protagonistas Christopher Reeve e Daryl Hannah.


Janela Indiscreta (Rear Window, 1954)
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: John Michael Hyes
Elenco: James Stewart, Grace Kelly, Raymond Burr, Thelma Riter, Wendell Corey

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21 de mai de 2010

Os Sete Samurais (1954)


A princípio, as 3 horas e 27 minutos de "Os Sete Samurais" podem assustar. Mas antes de assistir pela primeira vez, lembrei que "...E o Vento Levou" foram quase 4 horas que eu nem vi passar. Portanto, quando o filme é bom o tempo não importa. E não estava errado, este clássico japonês é uma obra-prima de Akira Kurosawa, ainda mais para pessoas que gostam de espadas, samurais e uma cultura diferente como eu.

A história se passa no Japão do século XVI, onde uma aldeia de lavradores sofre com os constantes saques de bandidos após as colheitas. Desesperados, resolvem ir até a cidade para contratar samurais que possam defender o vilarejo. Mas como eles não oferecem um pagamento, além de três refeições diárias, nenhum samurai parece interessado. Até que o experiente samurai Kambei Shimada (Takashi Shimura) acredita na boa causa e não só aceita como ajuda a arregimentar outros samurais.

Um total de sete samurais partem para a aldeia. Lá, treinam os moradores para armar a defesa do combate eminente que se segue enquanto um dos samurais (o mais novo) ensaia um romance com a filha de um dos lavradores. O filme tem romance, combate, bons diálogos e cenas engraçadas. Pode ter alguns momentos prolongados quando os personagens ficam calados, num momento de reflexão, que julgo desnecessários para a narrativa, mas nem por isso deixa de ser um belo filme.

Os Sete Samurais (Shichinin no samurai, 1954)
Direção: Akira Kurosawa
Roteiro: Akira Kurosawa, Shinobu Hashimoto e Hideo Oguni
Elenco: Takashi Shimura, Yoshio Kosugi, Kamatari Fujiwara, Keiko Tsushima, Isao Kimura, Daisuke Kato, Yoshio Inaba, Toshirô Mifune, Seiji Miyaguchi

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Cantando na Chuva (1952)

Além de um excelente musical, "Cantando na Chuva" é uma aula de história do cinema. O filme se passa no final da década de 20 quando o cinema sonoro entra em ação e decreta o fim do cinema mudo, mas não são todos que se adaptam a essa mudança. Esse é o ponto central da trama que também aborda as relações entre artistas, e claro, conta com ótimos musicais, alguns com um toque bem humorado.

Don Lockood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hagen), o casal mais querido do cinema mudo, prepara-se para rodar um novo filme, mas, no meio das filmagens resolvem transformá-lo em um musical. Infelizmente, Lina não sabe cantar e tem uma voz horrível. Apaixonado pela figurante Kathy Selden (Debbie Reynolds), Don a convida para emprestar sua voz à estrela que não gosta nada disso.

Ao lado de seu inseparável amigo, o compositor Cosmo Brown (Donald O’ Connor), Don protagoniza excelentes números de dança. Um dos objetivos de Don é fazer com que sua amada Kathy tenha o talento reconhecido. Quando ele sai da casa dela em uma noite chuvosa, apaixonadíssimo, acontece uma das cenas mais memoráveis do cinema onde ele dança a música que dá título ao filme com um guarda-chuva nas mãos. Assim o astro Gene Kelly um ícone dos musicais. Quem é que já não assistiu pelo menos essa cena do filme? (foto abaixo).


Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain, 1952)
Direção: Gene Kelly e Staley Donen
Roteiro: Adolph Green e Betty Comden
Elenco: Gene Kelly, Debbie Reynolds, Donald O’ Connor, Jean Hagen, Cyd Charisse

Trailer:

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20 de mai de 2010

Quo Vadis (1951)

A superprodução "Quo Vadis" (que vem do latim e significa Aonde Vais?) adaptou o romance homônimo de 1895, do polonês Henryk Sienkiewicz para as telas do cinema. Filmado em Roma, com um orçamento estimado de 8 milhões de dólares, teve 32 mil figurantes, entre eles Bud Spencer, Elisabeth Taylor e Sophia Loren.

A história se passa em Roma no ano 64 d C. e tem um tom religioso. Lida com o crescimento do cristianismo, cerca de 30 anos após a crucificação de Jesus, e mostra como Nero, o então Imperador Romano, teria reagido e combatido essa nova crença.

No enredo, o general Marcus Vinicius (Robert Taylor) retorna a Roma depois de uma Guerra e conhece Lygia (Deborah Kerr). À princípio ela, uma cristã, não quer se envolver com um guerreiro, porém Marcus insiste, e vai até Nero (Peter Ustinov) pedir que ela lhe seja dada como esposa, mas, Pompéia (Patricia Laffan) não gosta nada pois almeja o coração do herói.

Enquanto isso, dois personagens secundários criam o pano de fundo bíblico: os apóstolos Pedro e Paulo de Tarso que disseminam a palavra do Salvador. Os cristãos passam a ser perseguidos e Nero, num acesso de loucura põe fogo na cidade. Marcus salva Lygia e sua família do incêndio e o Imperador culpa os cristãos pela catástrofe e acaba criando uma turba enfurecida. É o início da guerra civil. A obra foi indicada para oito Oscars, mas não levou nenhum. Apenas dois Globos de Ouro (Melhor Fotografia e Ator Coadjuvante para Peter Ustinov).



Quo Vadis (Quo Vadis, 1951)
Direção: Mervyn LeRoy
Roteiro: John Lee Mahin, S. N. Behrman e Sonya Levien
Elenco: Robert Taylor, Deborah Kerr, Peter Ustinov, Leo Genn, Patricia Laffan, Finlay Currie, Abraham Sofaer, Bud Spencer, Elisabeth Taylor, Sophia Loren

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19 de mai de 2010

Crepúsculo dos Deuses (1950)

Com direção de Billy Wilder, "Crepúsculo dos Deuses" conta a história sobre um roteirista de cinema desempregado e com problemas financeiros. O roteirista Joe Gillis (William Holden) é morto no início da projeção, mas não sabemos por quem. O filme, então, se transforma em flashback narrado pelo próprio Gillis morto e mostra como ele fracassou na profissão e precisou fugir de cobradores que queriam tomar seu carro. Gillis acaba na mansão localizada na Sunset Blvd (nome original do filme) em que Norma Desmond (Gloria Swanson), ex-estrela do cinema mudo de Hollywood vive reclusa e esquecida.

Os interesses se cruzam e a história nos faz pensar que Gillis se aproveita de Norma quando aceita 500 dólares por semana para “arrumar” um roteiro escrito por ela. Mas, aos poucos começamos a perceber que é o contrário. Na preparação para seu retorno, Norma rapidamente transforma Gillis em um peão - ou mais precisamente, um escravo. Mas a relação entre os dois se torna complexa e dramática.

O filme tem excelente direção de arte, premiada com o Oscar, além de vencer também pelo Roteiro e Música. As interpretações são um show à parte. William Holden é destaque, mas ela Swanson, é quem rouba a cena. Seu desempenho é espetacular e pode ser sintetizado em uma única fala que se tornou célebre no cinema: “Tudo bem, Sr. DeMille, estou pronta para o meu close-up.” Swanson teve uma vida não muito diferente que a sua personagem. Estrela de alguns filmes, principalmente mudos, ela havia se ausentado das telas na última década.

Crepúsculo dos Deuses (Sunset Blvd, 1950)
Direção: Billy Wilder
Roteiro: Billy Wilder e Charles Brackett
Elenco: William Holden, Gloria Swanson, Erich Von Stroheim, Cecil B. DeMille

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18 de mai de 2010

Festim Diabólico (1948)

Ousado! Este é o termo para descrever em uma só palavra o primeiro filme colorido de Alfred Hitchcock. "Festim Diabólico" não é longo, tem apenas 77 minutos, mas a idéia que se tem é de que foi filmado em um único plano-seqüência pelos poucos, porém, quase imperceptíveis cortes. Foram 10 cenas que variam entre cinco e dez minutos de duração, pois era o tempo máximo que a película da câmera cinematográfica poderia armazenar na época.

Realizado totalmente em estúdio, este é um trabalho experimental do grande diretor inglês que ensaiou inúmeras vezes com os atores antes de gravar, já que as longas tomadas tinham que ser perfeitas. Tudo para contar a história de dois estudantes que matam um terceiro, colocam seu corpo em um baú para, então, darem um banquete em cima do mesmo e convidam, inclusive, os pais e a noiva do recém falecido.

Os dois jovens Brandon Shaw (John Dall) e Phillip Morgan (Farley Granger) cometem o crime por considerarem-se superiores intelectualmente em relação ao amigo David. O filme começa com o assassinato e aos poucos vamos descobrir os motivos para tal ato e o suspense criado por Hitchcock para ver se alguém descobre o corpo bem debaixo do nariz de todos. O interessante é que entre os convidados está o professor dos jovens, Rupert Cadell (James Stewart), cuja tese em aula serviu de motivo para matarem o colega. No entanto, o professor Cadell parece ser o único a desconfiar de algo.

A história é uma adaptação para o cinema da peça de teatro "Fim da Corda" (Rope's End) de Patrick Hamilton, que por sua vez, foi baseada no julgamento real dos jovens judeus Leopold e Loeb. Inspirados pela teoria do super-homem de Nietzsche, eles assassinaram um rapaz de 14 anos, na década de 20, por se julgarem superiores. Os dois eram gays, bem como os personagens da peça. Neste caso, o professor era gay e aliciador do mais velho dos dois. Hollywood vetou qualquer referência a homossexualismo, no entanto, os dois atores do filme eram gays, além do roteirista.

Festim Diabólico (Rope, 1948)
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Hume Cronyn
Elenco: James Stewart, John Dall, Farley Granger, Dick Hogan

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16 de mai de 2010

O Tesouro de Sierra Madre (1948)

O que faz a cobiça com a alma do homem? Em "O Tesouro de Sierra Madre" podemos ter uma amostra disso. Dirigido por John Huston, o filme aborda o lado sombrio da natureza humana e se baseia em um romance homônimo de Berwick Traven, um misterioso escritor que nunca apareceu em público. Venceu três estatuetas do Oscar (Diretor, Roteiro e Ator Coadjuvante)

A história com muita aventura, humor e tragédia começa na cidade mexicana de Tampico, no ano de 1925. Lá, dois americanos, Fred C. Dobbs (Humphrey Bogart em grande atuação) e Bob Curtin (Tim Holt), estão sem dinheiro e sem trabalho. Dobbs chega a pedir esmolas três vezes para o mesmo homem (interpretado pelo próprio diretor John Huston).

Quando os dois amigos conhecem o velho Howard (Walter Huston, pai do diretor e vencedor do Oscar por esse papel), resolvem ir até às montanhas tentar achar ouro após ouvirem as histórias do veterano garimpeiro. Eles precisam do velho já que não possuem nenhuma experiência no assunto. Logo fica claro que ambos são de pouca inteligência e Dobbs, principalmente, é muito desconfiado.

A ganância toma conta e acompanhamos o desenrolar das relações entre esses três homens que precisam lidar com intrusos, além da desconfiança nos próprios companheiros. Depois de 10 meses de muito trabalho no garimpo improvisado conseguem juntar uma grande quantidade do metal precioso. Mas, Dobbs deixa de ser o homem confiante e amigável do começo da expedição e a paranóia vem à tona.

O Tesouro de Sierra Madre (The Treasure of Sierra Madre, 1948)
Direção: John Huston
Roteiro: John Huston
Elenco: Humphrey Bogart, Tim Holt, Walter Huston, Bruce Bennett

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15 de mai de 2010

A Felicidade Não Se Compra (1946)

O veterano do cinema mudo Frank Capra, cineasta do otimismo e da bondade, mais uma vez mostra a força de um trabalho bem feito e com enredo interessante. Ele dirigiu "A Felicidade Não Se Compra" e novamente mostra o jeito do americano de viver e de ser.

Sem muita preocupação com estilo e técnicas refinadas, porém, com um belíssimo trabalho de edição, Capra consegue entreter o espectador e envolvê-lo com a história. Para ele o que mais importava era a narrativa que aqui flui com humor, ritmo e inteligência.

O filme começa com uma conversa no céu onde um anjo é chamado para ajudar um homem que está com dificuldades na Terra. Então, a história retrocede e mostra toda a vida de George Bailey (James Stewart em grande atuação), um americano bondoso e honesto que vive na pequena Bedford Falls. Ele sonha conhecer o mundo, entrar na faculdade de engenharia e construir prédios e pontes, mas, uma série de incidentes o impede que concretize esse objetivo.

Quando o pai morre, ele assume o comando da empresa que é a pedra no sapato do ambicioso Sr. Potter (Lionel Barrymore) que deseja controlar a cidade com seu banco. Bailey constrói casas para famílias que antes pagavam aluguel ao banqueiro e isso torna-se um conflito. Mesmo com a oportunidade de ter uma vida feliz quando o Sr. Potter lhe ofereceu um bom emprego ele recusou, pois significaria render-se ao que combateu desde o princípio e muita gente sairia prejudicada. Mas as coisas vão de mal a pior e só um milagre pode resolver a situação.

A Felicidade Não Se Compra (It’s a Wonderful Life, 1946)
Direção: Frank Capra
Roteiro: Frances Goodrich e Albert Hackett
Elenco: James Stewart, Lionel Barrymore, Donna Reed, Thomas Michell

Trailer:

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13 de mai de 2010

Interlúdio (1946)

Um ponto alto da época dourada de Hollywood, "Interlúdio", de Alfred Hitchcock, é uma convergência de talentos. O agente federal americano Devlin (Cary Grant) vai ao Rio de Janeiro com Alicia Huberman (Ingrid Bergman em grande atuação) para uma missão secreta logo após a Segunda Guerra ter acabado.

Ela deve infiltrar-se entre nazistas e conquistar um deles para conseguir informações confidenciais, mas há um problema. Ela e o agente estão apaixonados e isso pode prejudicar o andamento da missão. Grant interpreta o cortês, aparentemente normal, de caráter insensível que ele é em todos os outros filmes. Bergman é brilhante como a heroína complexa.

Este é um dos melhores filmes de Hitchcock. Uma perversa história de amor e um ótimo thriller de espionagem. Possui um drama acentuado que prende a atenção do espectador. Há várias cenas de tensão e além de tudo isso é ambientado, imaginem, no Brasil. Até o clima com trilha de músicas brasileiras homenageia nosso país e as cenas com Copacabana de fundo são deslumbrantes.

Acredito que Hitchcock deva ter passado férias no Brasil e se apaixonou. Este foi o primeiro filme que o diretor conseguiu terminar sem intervenção de David Selznick, o grande produtor de "...E o Vento Levou". Os dois tinham um contrato firmado, desde 1939, que chegava ao fim, assim, Hitchcock teve sua aguardada liberdade criativa para os próximos filmes assegurada.

Interlúdio (Notorious, 1946)
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Ben Hecht
Elenco: Cary Grant, Ingrid Bergman, Claude Rains,

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12 de mai de 2010

Casablanca (1942)

O filme "Casablanca", de Michael Curtiz, tem de tudo um pouco: amor, aventura, ação, intriga, humor. E, ainda, momentos clássicos como a cena que o policial recolhe seus ganhos antes de cessar as apostas para jogos de azar no bar de Rick Blane (personagem de Humphrey Bogart), o Rick's Cafe. É um dos roteiros mais lembrados de Hollywood.

Lançado em meio à segunda guerra, abordou questões da época como os refugiados que escapavam rumo ao Marrocos. Lá, na cidade de Casablanca, rota de fuga para os Estados Unidos, tinha toda sorte de bandidos, policiais corruptos, nazistas e caloteiros locais que dobravam seu comércio explorando os forasteiros. Rick é um cara solitário, amargurado e que não arrisca seu pescoço por ninguém. Seu único amigo é o pianista Sam que embala as noites no Rick’s Cafe.

Porém, com a chegada de Ilsa Lund (vivida por Ingrid Bergman), um amor mal resolvido no início da guerra, reacende uma paixão e ao mesmo tempo mágoa. Ele precisa decidir se ajuda ela a fugir com seu importante marido Victor Laszlo (Paul Henreid), um líder da resistência Tcheca, mesmo após descobrir que ela já era casada quando à conheceu em Paris.

Uma curiosidade é que o roteiro foi sendo escrito durante as filmagens e não havia um consenso sobre um final para a trama. Fato esse que irritava Ingrid Bergman que não sabia por qual dos dois personagens deveria demonstrar mais amor. As belíssimas atuações, de certa forma, seguram o filme o tempo todo e como não destacar também a trilha sonora com a música “As Time Goes Bye” tocada e cantada pelo pianista Sam.

A obra ganhou os Oscars de Melhor Filme, Diretor e Roteiro, além de concorrer a outros tantos. Uma frase de Rick para Ilsa entraria para a história do Cinema “Nós ainda teremos Paris”, referindo-se ao caso que tiveram antes da guerra. Enfim, personagens marcantes, diálogos inesquecíveis e romantismo presente na tela, um filme imperdível.

Casablanca (Casablanca, 1942)
Direção: Michael Curtiz
Roteiro: Julius J. Epstein e Philip G. Epstein
Elenco: Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains

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11 de mai de 2010

Cidadão Kane (1941)

Eis que surge um certo Orson Welles, radialista de 22 anos, que fez o povo norte-americano levar um tremendo susto em 1938. Simplesmente por que ele resolveu colocar na rádio CBS a história do livro Guerra dos Mundos (do escritor inglês H. G. Wells) onde os alienígenas atacam a Terra. De tão realista muita gente acreditou e entrou em pânico nas ruas.

Após esse episódio, Welles seguiu pelo caminho do audiovisual e além de escrever, dirigir e atuar, também produziu "Cidadão Kane" com muito esforço, criatividade e baixo orçamento. Na época, o filme não foi bem recebido pelo público por tratar-se da história de um magnata da imprensa chamado Charles Foster Kane (Orson Welles) extremamente egoísta e sem escrúpulos.

A obra foi uma evolução da técnica cinematográfica. Logo na cena de abertura, vemos um portão em primeiro plano e um castelo no segundo. É um aspecto técnico impressionante, afinal, era a primeira vez que a profundidade de campo era usada intencionalmente em um filme. A passagem do jardim do castelo para o interior, com a fusão de películas e um longo travelling também é uma inovação de Welles.

Outra novidade é o roteiro não linear, pois a obra começa pelo fim com a morte de Kane e, a partir daí, a vida dele é mostrada desde a infância pobre quando é tirado do convívio dos pais para ser educado por um grupo de empresários. A recompensa pela ousadia de mudar foi o Oscar de Melhor Roteiro Original.

A fotografia é outro show a parte. Sempre que Kane revelava seu lado egoísta e obscuro, a sombra dominava o cenário, por vezes o encobrindo. Tanto o primeiro plano como o segundo ficavam em foco, sempre jogando com isso, inúmeras vezes revelando o teto dos cenários de uma forma inédita.

Com tantos aspectos positivos não é a toa que a obra figura entre as maiores de todos os tempos. Contra o filme pode-se afirmar que Welles não se preocupa em indicar uma motivação para que o empresário Kane se transforme numa pessoa ambiciosa, cruel e inflexível.

Porém, a obra apresenta tantas evoluções técnicas que esse detalhe passa quase despercebido, assim como o significado da palavra rosebud que só é revelado no final. Representa o último momento de infância, de brincadeiras, de ingenuidade antes de ser tirado da família e ver que não adiantou nada se tornar um milionário se perdeu tudo que estimava. Tudo isso simbolizado em um único objeto: um trenó.

Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941)
Direção: Orson Welles
Roteiro: Orson Welles e Herman J. Mankiewicz
Elenco: Orson Welles, Joseph Cotten, Agnes Moorehead, Ray Collins

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O Grande Ditador (1940)

"O Grande Ditador", de Charles Chaplin, é muito mais que uma comédia. É um deboche irônico de líderes políticos, é o primeiro filme totalmente falado de Chaplin, é um apelo contra guerra e, por tudo isso, é uma obra belíssima.

Porém, depois que o filme estreou Chaplin foi expulso dos Estados Unidos, pois seria visto como uma provocação norte-americana à Alemanha nazista. Os EUA só entrariam na guerra dois anos mais tarde após o ataque japonês à Pearl Harbor.

Chaplin interpreta os dois protagonistas da história: o ditador Adenoid Hynkel (em alusão à Hitler) e o barbeiro judeu. Cheio de cenas clássicas, a mais conhecida é a que Hynkel brinca com o globo revelando o desejo de conquistar o mundo. Em outra cena antológica o ditador discursa em uma língua irreconhecível semelhante ao alemão.

A briga de egos entre Hynkel e o outro ditador Napoloni (sátira à Mussolini), também merece destaque, principalmente na barbearia onde ambos levantam a cadeira para que o outro tenha que olhar pra cima. A cena final onde o barbeiro judeu é confundido com o ditador e precisa fazer um pronunciamento dura seis minutos e é uma aula de civilidade e humanismo. É justamente toda a mensagem que Chaplin deseja passar com a obra.

O Grande Ditador (The Great Dictator, 1940)
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Paulette Goddard, Jack Oakie, Reginald Gardner

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No Tempo das Diligências (1939)

Este não é apenas um clássico de Hollywood. É a reinvenção do western americano, um gênero já cambaleante no final da década de 30. Aqui, vemos pela primeira vez a parceria entre o ator John Wayne e o diretor John Ford que resultou em inúmeros filmes de faroeste.

Wayne já havia feito outros filmes, mas "No Tempo das Diligências" o alçou ao estrelato. Ford inovou no roteiro original sem um vilão caricato e outros clichês do gênero western. Além disso, somente aos 18 minutos de filme que o protagonista Ringo Kid (John Wayne na foto) aparece, com um close que já demonstrava a ideia do diretor de criar um ícone.

Na história, nove pessoas embarcam em uma diligência, cada uma com seu motivo pessoal, para realizar a perigosa viagem pelo Arizona até a cidade de Lordsburg. A região vive ameaçada por índios apaches e os soldados que deveriam cuidar da rota foram desviados. Por isso, a diligência está por sua conta e risco.

Os viajantes têm diferentes tipos de personalidade desde o apostador de cartas Hatfield (John Carradine) ao médico alcoólatra Doc Boone (Thomas Mitchel - vencedor do Oscar). Ringo Kid embarca com eles em busca de vingança, pois o assassino de seu pai e irmão está em Lordsburg. Porém, pelo caminho ainda tem a ameaça constante dos índios. Obra vencedora de dois Oscars (ator coadjuvante e trilha sonora) e um filme essencial para os amantes de faroeste.

No Tempo das Diligências (Stagecouch, 1939)
Direção: John Ford
Roteiro: Dudley Nichols
Elenco: John Wayne, John Carradine, Thomas Mitchel, Claire Travel, Andy Devine

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8 de mai de 2010

...E o Vento Levou (1939)

Hollywood entra em sua época de ouro no final da década de 30, graças a alguns filmes de ótima qualidade. Uma prova disso é a grande obra "...E o Vento Levou", ganhadora de oito Oscars como de melhor filme, diretor, roteiro adaptado, entre outras categorias.

Victor Fleming assumiu a direção, após abandonar as gravações de "O Mágico de Oz" e ficou com os créditos. Porém, o filme teve outros três diretores durante o processo que acabaram afastados pelo produtor todo poderoso e exigente David Selznick. A superprodução para a época tem 222 minutos de duração (mais longo do cinema até então) e é ambientada durante a guerra civil americana, entre o sul e o norte (Guerra de Secessão 1861-1865).

O roteiro de "...E o Vento Levou", baseado em um livro homônimo de Margaret Mitchell, retrata a história entre Scarlet O’Hara (Vivien Leigh, de excelente atuação e vencedora do Oscar) e capitão Rett Butler (Clark Gable, também impecável) que vivem um caso de amor e ódio. Scarlet enfrenta uma vida miserável por conseqüência da guerra e mostra-se uma pessoa falsa, orgulhosa e difícil de lidar, mas, mesmo assim, conquista o coração do cínico e irônico Rett.

O romance tem momentos pouco convincentes e que chegam a ser monótonos. Principalmente quando tenta nos convencer que Scarlet seria capaz de ficar tanto tempo apaixonada por Ashley (Leslie Howard). Porém, isso não chega a atrapalhar a belíssima concepção final da obra. Por fim, algumas cenas são inesquecíveis: Scarlet subindo as escadas quando chega a notícia da guerra, a imagem que se abre para mostrar os feridos na estrada de ferro, a despedida de Scarlet e Rett nas proximidades de Tara e a cena dela junto à árvore que encerra a primeira parte onde ela jura nunca mais sentir fome novamente.

...E o Vento Levou (Gone with the Wind, 1939)
Direção: Victor Fleming, William Menzies, Sam Wood e George Cukor
Roteiro: Sidney Howard
Elenco: Clark Gable, Vivien Leigh, Leslie Howard, Thomas Mitchell, Barbara O'Neil

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O Mágico de Oz (1939)

Musical, filme infantil e clássico de fantasia. "O Mágico de Oz" é tudo isso e muito mais. É uma história de superação, luta e amizade com uma dose absurda de cores, uma novidade na época.

O filme mudou quatro vezes de diretor e isso mostra como os produtores dos estúdios de Hollywood tinham total domínio sobre os projetos na época. Os créditos ficaram para Victor Fleming, que filmou cerca de 1/3 do filme antes de abandoná-lo para terminar "E o Vento Levou", outro filme que trocou três vezes de direção. A obra recebeu dois Oscars por melhor canção (Over the Rainbow) e trilha sonora original.

A história gira em torno de Doroty (Judy Garland), uma menina do Kansas que foge de casa com medo de perder o cachorrinho e quando volta é levada por um furacão para um mundo de fantasia. Lá, encontra a Bruxa Boa do Norte que explica a ela que somente com ajuda do Mágico de Oz ela poderá voltar para casa. Pelo caminho, ela encontra outros três personagens que também querem encontrar o Mágico: o Espantalho, que quer um cérebro; o Homem de Lata, que quer um coração e o leão, que quer a coragem que lhe falta para ser um verdadeiro rei.

O filme é reconhecido como a melhor história de fantasia adaptada para o cinema. A magia que os personagens passam serve de entretenimento até hoje e a mensagem permanece atual sobre amizade, o amor à terra natal e à valorização da família.

O Mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939)
Direção: Victor Fleming
Roteiro: Noel Langley e Florence Ryerson
Elenco: Judy Garland, Ray Bolger, Bert Lahr, Jack Haley, Margaret Hamilton

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7 de mai de 2010

A Mulher Faz o Homem (1939)

Outro destaque dos anos 30, "A Mulher Faz o Homem", de Frank Capra, concorreu a várias categorias do Oscar, porém, venceu apenas como melhor roteiro original. Naquele ano, aconteceu uma explosão de grandes filmes em Hollywood que deixou a concorrência difícil e até se entende por que o filme não ganhou mais prêmios.


Na história, Jefferson Smith (James Stewart, em excelente atuação), é um homem do interior e sem maldade, que acaba escolhido para o Senado americano, na capital Washington. Lá, ele se depara com a corrupção e as malandragens políticas e tenta enfrentar o sistema como um cavaleiro solitário contra um exército.

O que Smith não esperava era receber uma ajuda que se torna essencial para seguir a luta até o final sem se corromper num desfecho maravilhoso. A ajuda veio através da funcionária do Senado Clarissa Saunders (Jean Arthur) que é a mulher que faz o homem dessa história.

Algumas curiosidades do filme: ele faz parte da Biblioteca Nacional do Congresso do EUA. Também foi eleito o 29º melhor filme de todos os tempos pelo AFI. A obra causou furoe na mídia americana na época de seu lançamento pelo fato de mostrar a corrupção do governo de forma tão cotidiana, o que levou alguns a chamá-lo de antiamericano.

A Mulher Faz o Homem (Mr. Smith Goes to Washington, 1939)
Direção: Frank Capra
Roteiro: Sidney Buchman e Lewis R. Foster
Elenco: James Stewart, Jean Arthur, Claude Rains

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A Regra do Jogo (1939)

Na França, outra obra inquestionável é "A Regra do Jogo", de Jean Renoir, onde o diretor realiza um retrato realista da sociedade francesa. Uma verdadeira crítica social onde coloca a burguesia como um bando de ociosos fúteis e materialistas com fortes desvios de caráter. O roteiro de múltiplas tramas sobre a luta de classes na França revela um mar de hipocrisia entre os personagens em uma sociedade falsa.

Na história, o aviador Andre Jurieux (Roland Toutain) bate um record de vôo mas só consegue pensar em sua amada Christine (Nora Gregor), casada com o aristocrata Robert de la Cheyniest (Marcel Dalio). Por convite de um amigo, Jurieux vai à casa de campo do casal onde amigos da família passam um fim de semana. Porém, segredos e sentimentos dão vazão a acontecimentos estranhos.

Quase sempre colocado nas listas de melhores já feitos, é considerado um dos mais importantes filmes cult de arte de todos os tempos. Jean Renoir também serviu de inspiração para Chabrol, Godard e Truffault quando estes criaram a Nouvelle Vague, na virada da década de 50 para 60. Recentemente, o diretor Robert Altman se rendeu a esse roteiro e refilmou a história de uma forma disfarçada em Assassinato de Gosford Park (2001). Nessa versão, o alvo é a sociedade britânica dos anos 30.

A Regra do Jogo (La Règle du Jeu, 1939)
Direção: Jean Renoir
Roteiro: Jean Renoir e Carl Koch
Elenco: Roland Toutain, Nora Gregor, Marcel Dalio, Paulette Dubost, Jean Renoir

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Tempos Modernos (1936)

Em "Tempos Modernos", último filme mudo de Charles Chaplin, ele faz uma crítica feroz ao capitalismo. A busca desenfreada por lucro das empresas é usada com deboche irônico por um dos maiores gênios que o cinema já conheceu. Mesmo milionário, Chaplin preocupava-se com os pobres e expressava isso através do personagem vagabundo Carlitos. Pensava e agia como tal, pois teve uma infância pobre.


Na história, Carlitos, o seu eterno vagabundo, é um funcionário de uma fábrica e trabalha na linha de montagem sem parar. Após um colapso nervoso, é levado para um hospício, e quando retorna para a “vida normal”, encontra a fábrica já fechada. Enquanto isso, uma jovem, orfã de mãe, com duas irmãs pequenas e o pai desempregado, tem que realizar pequenos furtos para sobreviver.

Após ser confundido como o líder de uma greve de operários, Carlitos acaba preso. Na cadeia, sem querer, atrapalha uma tentativa de fuga de presos e quando é libertado, decide fazer de tudo para voltar para lá e ao ver a jovem que fugiu da adoção, decide se entregar em seu lugar. Mesmo assim, ele faz de tudo para ir preso, no entanto os dois acabam escapando e vão tentar a vida de outra maneira.

Com o cinema sonoro já consolidado, Chaplin não tem mais como seguir com seu personagem vagabundo, pois acreditava que se ele falasse perderia toda a magia. Porém, quase no final do filme, a cena em que Carlitos canta em uma língua fictícia entrou para a história do cinema como a única vez que o vagabundo falou.

Na cena final, abandonou as telonas caminhando por uma estrada deserta acompanhado pela moça pobre por quem se apaixonou (foto abaixo), interpretada pela esposa Paulette Goddard. Um final memorável e que marca, definitivamente, o fim do cinema mudo.


Tempos Modernos (Modern Times, 1936)
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin e Paulette Goddard

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O Atalante (1934)

Na França, Jean Vigo dirige "O Atalante", obra realista e ao mesmo tempo poética dos problemas sociais vistos de uma forma distanciada. No filme, um casal parte em lua de mel no barco Atalante. Jean (Jean Dasté) é comandante desse barco e promete levar Juliette (Dita Parlo) até Paris para aliviar o tédio de uma vida a bordo.


O que chama a atenção é o jeito simples como acontecem infinitas situações dramáticas comuns a um casal. O filme é bem sucedido em alternar tristeza com felicidade.

Além do jovem casal, existem dois marujos no Atalante, um deles é o velho tio Jules (Michel Simon), coadjuvante do filme, mas é a chave da história. Mistura de grotesco, pela sua feiúra, com bondade é aquele que transmite uma lição de vida e de otimismo.

Em “O Atalante” Vigo faz emergir um mundo repleto de símbolos e fantasias, de felizes coincidências e de estranhos milagres do dia-a-dia. Do olhar de Vigo surgem o real e o alegórico, o belo e o grotesco, assentados sob uma série de imagens enigmáticas. Aqui, o banal dá lugar a uma teia de imaginações.

Este é um filme que nos prova que, se fórmulas existem para serem seguidas, constituir modelos, enunciar regras; elas também existem para serem quebradas.


O Atalante (L'Atalante, 1934)
Direção: Jean Vigo
Roteiro: Jean Guinée e Albert Riéra
Elenco: Jean Dasté, Dita Parlo e Michel Simon

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Luzes da Cidade (1931)

Começarei este blog com posts de filmes antigos, iniciando pelos anos 30, onde acontece uma grande mudança. O cinema mudo, que no momento está no auge, acaba após a chegada dos filmes sonoros. Durante essa década um gênio se destaca entre todos os cineastas, seu nome: Charles Chaplin.


Nessa época, ele já é famoso em Hollywood e os filmes sonoros já começam a se popularizar. Mesmo assim, Chaplin continua no cinema mudo e realiza "Luzes da Cidade" onde Carlitos, o personagem vagabundo de Chaplin, conhece uma vendedora de flores cega que o confunde com um homem rico.

Apaixonado pela beleza da moça, faz de tudo para conseguir dinheiro que ajude ela a enxergar novamente. Assim, sucedem-se cenas engraçadas onde ele se mete até em uma luta de boxe, uma cena antológica e engraçadíssima que só Chaplin poderia realizar.

Posteriormente, ele impede um milionário bêbado de suicidar-se e, devido ao seu ato heroico, tornam-se grandes amigos. Porém, quando fica sóbrio ele não se lembra mais do vagabundo nem do que ocorreu enquanto estava bêbado.

O filme, além de bem recebido pela crítica e pelo público, também foi aclamado por diretores, como Orson Welles, Stanley Kubrick, Federico Fellini, Woody Allen, integrando a lista dos 10 melhores de alguns deles e teve uma das mais brilhantes estreias do cinema. Em Los Angeles, um dos convidados de Chaplin era Albert Einstein, enquanto em Londres, Bernard Shaw sentou ao seu lado na primeira exibição do filme.


Luzes da Cidade (City Lights, 1931)
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Virginia Cherrill e Harry Myers

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